quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A música dos Anos 90

Originalmente postado no Palco KH Home Studio (Meu blog de gravação).
Sinceramente dificilmente vou esquecer essa época musical pois foi nela que vivi minha adolescência e alimentei meus sonhos e foi quando comecei a me envolver com música, e foi uma época que as coisas mudaram radicalmente no Brasil principalmente com a fixação geral do “jabá” e da valorização de ritmos nacionais digamos "um pouco duvidosos" (apesar de muitos serem originais que foi uma coisa boa) e claro tudo isso eu vou colocar no ponto de visto de um "roqueiro fanático" que eu era nessa época (hoje em dia sou bem mais "dinâmico").

Histórico
Os anos 80 ficou sendo um exagero de tudo! Guitarras com 1000 notas por segundo, vocais gritantes (conhecido como drive), bandas com 10 integrantes, baterias eletrônicas, racks gigantes, artistas mais fantasiados do que uma drag queen, gel, mega hair, tênis tudo isso encheu o saco! A geração X terminava e começava a Geração Y. A primeira coisa foi que a música se tornou mais ao vivo. As bandas voltaram a ter 4 integrantes (pelo menos em estúdio) ou 3.
 O vocais gritados deram a lugar a vocais com atitude e apesar dos solos "virtuosos" terem ser tornado estudo obrigatório foram reduzidos a solos mais simples. Mas nenhum estilo foi tão impactante quanto o eletrônico: dance music, techno, rap, hip hop, jungle, pop reagge invadiram as rádios como nunca se vira antes. No Brasil uma "pá de cal" foi jogada literalmente no rock e entre 1993 a 1998 o pagode e axé music dominaram as rádios e a TV e somente em 1999 com uma nova geração de rock (que chamo de BRock fase II) e a chegada do funk eletrônico carioca a moda acabou.


Os artistas e os estilos
Primeiramente se existe um nome que fixou na cabeça do pessoal no início dos anos 90 foi a banda americana  Gun´s Roses. Axl Rose, Slash e Cia trouxeram de volta a tona o hard rock com influência no blues (tipo Led Zepellin) acabando com a moda dos “fritadores” que dominou a década anterior. Sem contar o surgimento de bandas importantes como Red Hot Chilli Peppers, Faith no more, Pear Jam, Alice Chains e sem esquecer o rock grunge do Nirvana que deu ao mundo do rock novamente a rebeldia. Infelizmente o vocalista se matou (Kurt Cobain) acabando com a banda (vale a pena lembrar que Dave Gohl que era o baterista montou o Foo Fighters em 1996 assumindo o papel de vocalista e guitarrista) porém de todos os estilos o que mais se despertou foi o eletrônico.
Oasis, Croaw Croes trouxeram o rock "cru" dos anos 60 com uma roupagem moderna de volta às rádios. Um grupo de produtores se juntou a uma cantora e a um rapper e montaram o fantástico C&C Music Factory mostrando que era possível misturar canto, rap, levadas rock e funk e samples numa música só. Com isso surgiu Black Box, Vanilla Ice, Mc Hammer , DJ Bobo, Haddway, Ice Cube, Ice T, e um ex-baixista quer iria ficar famoso no mundo adotando um novo como DJ: Fat Boy Slim.
Sem falar na explosão de "boys band" como Backstreet Boys e N´Sync. Na ala femina Sherly Crow (ex-backin de Michael Jackson), Alanis Morissete, Shania Twain e claro as Spice Girls.
No Brasil as bandas de rock deram lugar a bandas de reggae de primeira linha iniciadas por Cidade Negra e Skank mas para o desespero dos roqueiro a música eletrônica invadiu todos os lugares e juntamente com o pagode (Raça Negra, SPC, Molejo, Exalta samba) e sem contar na Axé Music (Banda Eva, Cheiro de amor, É o Tchan, Chiclete com Banana, Asa de Águia) e deixou muita gente "orfã" de moda, porém o rock ainda tinha algo para mostrar, pois Legião Urbana continuou com força atá a morte de Renato Russo e surgiu o Mamonas Assassina que inaugurou a era do "rock bobagem com fundo de realidade" porém que infelizmente tiveram uma carreira interrompida em 1996 num acidente de avião.
Raimundos se destacou com seu "heavy metal forrozento" e sem contar Chico Science com seu "mangue beat com rock". No final da década apareceram bandas de pop rock que se iriam destacar na próxima como Jquest, LS Jack, Charlie Brown JR e sem contar nos inúmeros Acústicos MTV que resgataram por exemplo a carreira do Capital Inicial. O Rappa novamente trouxe a música de protesto a tona, misturando rock, soul, hip hop e cultura brasileira.

A tecnologia
Duas tecnologias que só haviam em filmes chegaram ao público: o CD (que condenou o vinil a extinção) e o MD (uma fita com qualidade de CD que nunca vingou) e com um gravador de CD era possível criar sua música e sair vendendo seu próprio CD pra quem quisesse.
A década 1990 apenas continuou a evolução dos sintetizadores dos anos 80 porém cada vez mais digitais e avançados, com baterias eletrônicas e timbres sampleados beirando ao realismo. As pedaleiras além de simular pedais começaram a simular amplificadores, rack e stack.
Porém nada seria mais significante do que o aperfeiçoamento das placas de som para computador. Essa placas apareceram para o PC em 1989 (pela empresa Adbli) e mudaram totalmente o sentido do computador: agora ele servia para ver filmes (com advento do CD), jogar jogos, escutar música e o melhor de tudo: gravar música. A partir de 1992 empresas como a Adbli, Roland, Sound Blaster e Gravis Sound viam com uma coisa a mais em suas placas: entrada e saída para gravações.
A partir daí várias pessoas compravam seus computadores e acoplavam suas mesas de som e gravavam em casa realizando o antigo sonho de todo músico que não podia disponibilizar milhares de dólares para ter um equipamento de estúdio. Continuando isso, não demorou a aparecer os programas DAW que era multi pistas. Dessas desenvolvedoras de softwares 3 se destacam: Pro logic (que inventou o primeiro sistema de gravação totalmente digital para o computador o Pro Tools), a Cakewalk (que criou o primeiro programa multi pista para o PC) e a Steinberg (que inventou o sistema VST/VSTi). Foi nessa década que o home studio (estúdio feito em casa) criou as formas que conhecemos tão bem hoje em dia. A outra coisa foi o desenvolvimento absurdo dos samples! Já não eram mais apenas partes gravadas de discos ou fitas, agora tinham comportamento próprio. Se você pega-se a nota inicial do mega hit "Jump" e coloca-se no seu Roland JP80 para samplear logo você estaria com o mesmo timbre da música original criado no Obenheimer de Ed Van Halen para o hit Jump.

O que mudou para as gravações
A década de 1990 foi marcada por 3 coisas: voltar a simplicidade, dar mas enfase ao eletrônico e o pesadelo de todo produtor musical: colocar a música no máximo volume que der!
Ou seja, agora não se dava mais lugar a dinâmica (desempenho do som no campo estéreo) e sim ao volume (compressão beirando a achatação).Quando falamos em simplicidade foi que vários processos foram cortados e deram lugar a processos mais novos principalmente em relação a gravação de voz. Dos grandes estúdios abertos agora se preferia gravar em pequenos aquários mais seco possível. Dos reverbs tipo sala (hall) agora se preferia usar os pequenos e com mais delay e se contar que no final da década a
fabricante Antares inventou um novo rack (e também na versão plugin) chamado "Autotune" que fez muita gente com uma voz "mais ou menos" passar a cantar "bem". As mixagens preferiam ir aderir ao "realismo", ou seja deixar a música de cara a cara com o ouvinte (como o mesmo estivesse no show). Esse desenvolvimento se chamou "mixagem 3D" que foi a porta para a mixagem em surround e depois na década seguinte iria virar "binaural". Em meados de 1996 surgiu também um outro tipo de gravação com as guitarras: o simuladores de amplificador. Muitos produtores preferiam ao invés de usar grandes stacks ou combos, deixar tudo "emulado" e o resultado geralmente era timbre gigantesco adquiridos e isso logo se passou para gravação de linhas de baixo. De fato com o surgimento do processador Roland VG-1 que simulava até tipos de captadores a gravação de guitarra foi mudada completamente e logo o processador Line 6 Podfarm seria o mais usado até hoje. Com advento da gravação digital muita gente começou a pegar quartos ou garagem vago na sua casa e transformar em "home studio" e muitos deles se transformaram em gravadoras, produtoras e divulgadoras. .

A chegada da internet
A internet só começou direito no país somente depois de 1996, porém nos outros países como EUA, Inglaterra e Japão, ela já tinha força. Quem usava a internet nos meado de 1999 com certeza lembra do Napster, que foi o primeiro servidor de trocas de música. A MP3 pegava uma wave de um CD de 44 megabytes e a transformava em 3 megabytes com pouca diferença de qualidade e isso falicitou a troca de arquivo entre os músicos e os ouvintes.


Postado por:
Rafael "O KH" Dantas
Autor do blog de gravação musical Palco KH, do blog de "histórias" Adult Stories 
e Jovem & Adolescente nos anos 90!
Músico e Técnico em T.I
OMB:13850
Contato:
rafael.kh@gmail.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Atenção: faça comentários relacionados a postagem!
Tudo que for de origem ideológica, conteúdo ofensivo ou político será automaticamente apagado! Há vários blogs pra você fazer isso, aqui não é um deles.